segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Oi Gente

Como estão todos? Eu ainda estou meio abalada com a volta da Tainá, nossa minha noite foi péssima, dormi muito mal... hoje foi difícil também ir trabalhar, puta só queria ficar em casa, se eu tivesse essa opção. Agora a noite a Bia estava aqui , foi bom ve-la, eu me senti melhor, era um pouco como se estivessemos em família denovo... mas a Bia também vai, agora em Abril, e é assim, sei que eu ainda vou ter que dar tchau pra muitas pessoas queridas, e fico muito triste por isso, amo Dublin, mas o tempo já começa a pesar, tenho certeza que agora ainda não é a minha hora, que ainda tenho 7 meses pela frente... mas sabe, quando as pessoas que aprendemos amar aqui vão se indo, dizendo adeus, uma por uma... a vida aqui começa a perder um pouco a graça...

Hoje no caminho do trem fiquei observando as casas passando rapido... o tempo estava horrível( novidade) umas nuvens cinzas bem pesadas... embaixo delas aquele branco... maior contraste, e dois arco-iris enormes... me lembrei de quando a minha irma me ligava e falava que alguem falando outra lingua atendia o telefone ( secretária eletronica), me lembro que sábado vai ser aniversário da minha avó, e que semana que vem vai ser aniversário da minha irmã, me lembro o quão grande deve estar a barriga da Ju, das conversas que tinha com a minha mae de madrugada... Continuo achando que o intercambio até o momento tem sido um dos melhores momentos da minha vida, um dos mais ricos, um dos maiores aprendizados... mas o preço que pagamos também é alto, e para vir é preciso estar aberto as renúncias e as despedidas...

Apesar de tudo a minha tarde até que foi agradável, saimos com as crianças, fomos para o Phoenix Park... é lindo! Amanhã vou levar os pivetes pro cinema, vamos assistir gnomeu e julieta, acho que é esse o nome, não?

Um comentário:

  1. Jaque querida,

    Muito legal o que contou dos seus aprendizados! Despedidas, afastamentos, são das coisas mais dilacerantes que alguém pode viver. Mas é algo inevitável.

    Ainda que o motivo seja "de força maior", uma despedida deixa um gosto estranho na alma... mesmo que sua amiga e você saibam que é o melhor a fazer, e se encontrem posteriormente, algo terá se perdido.

    O pulo do tigre é descobrir como não se entristecer com isso...

    Entra aí a questão da solidão. O escritor Artur da Távola dizia que solidão não é um castigo, mas um prêmio que se conquista com merecimento, porque envolve o que mencionou sobre renúncias e despedidas.

    Não quer dizer que vá se desprezar os laços sociais, não é isso. Mas o Távola identificava a solidão como uma ascenção à plenitude íntima, algo como estar consigo de uma forma aberta, sincera. Reconhecendo que a gaiolinha do ego é menor do que a gente imagina, e nos comprime de todos os lados. Descobrir a chave dessa gaiolinha e sair quando quiser é algo maravilhoso.

    De um jeito ou de outro, estamos todos nesse impasse.

    Outra coisa positiva é que se identificou com Dublin e gosta daí, o que ajuda muito. Já pensou seriamente que sua estadia aí pode ser um retorno, um reencontro...?

    Fique bem, linda! Mas se começar a ouvir "How Soon is Now?", do Smiths, e achar o máximo, ficarei preocupado... rs!

    Beijos!

    ResponderExcluir