quinta-feira, 21 de junho de 2012
A Escolha
Putzzz
Esse blog realmente anda as moscas.'' O filho pródigo a terra retorna''. A verdade é que preciso escrever, e sei que é piegas, brega e clichê esse termo, mas preciso ''desabafar'' e é engraçado porque ao mesmo tempo que sei que isso vai ser publicado e pode ser acessado por qualquer pessoa do mundo, ao mesmo tempo parece que estou falando comigo mesmo... é como estar num bar muito cheio com uma amiga, vc sabe que ela está ali com vc, vc sabe que não está sozinha, mas também sabe que ela não pode te ouvir muito bem...
Toda vez que eu olho pra esse blog me dá uma deliciosa sensação nostálgica. E mais uma vez, parece que foi ontem... E como acontecem coisas em 1 ano e 8 meses quando vc escolhe mudar de cidade, país, continente. Tantas mudanças, informações, descobertas juntas que fazem 1 ano e 8 meses parecerem 5 anos, isso tudo com o vigor do ''foi ontem''.
Todos os dias eu acordo assustada, desorientada, insegura, incompleta -ANGUSTIADA pois uma decisão tem que ser feita e tudo que eu faço é adiá-la. Renovar mais um ano? Voltar para o Brasil? A saudade da minha família nunca foi tão grande, a consciência pesada de que deveria estar lá ao lado dos que me amam ( e que eu também amo) , investindo na minha carreira profissional, participar da tão difícil transição da infância para adolescência ( que agora passa a minha irmãzinha). E então, eu penso em como me encontrei na Irlanda, como aprendi a amar esse país, como a minha vida aqui me permite tantas coisas que não teria nos próximos 5 anos de trabalho e dedicação no Brasil. Penso na segurança que tenho aqui, penso nas pessoas mais interessantes, na multi-cultura, penso na qualidade de vida, trabalhar sim, mas não tanto, pois é também preciso viajar, sair, ver filmes, ler livros, comer fora, e o melhor vc é pago o suficiente pra isso (mesmo sendo uma babá).
É uma batalha mental diária em que os prós e contras são analisados dias e mais dias, de um lado ''O DEVER'' do outro ''O PRAZER'' e ter 26 anos parece tornar essa atitude ainda mais complicada, uma vez que estamos alí naquela linha tênue em que deixamos a irresponsabilidade e vigor juvenil para estabilidade entendiante dos ''30 anos''. E eu sei que não estou pronta para os ''30 anos - carro, marido, roupa de marca, e emprego bom'' que a sociedade, principalmente brasileira, cobra. Uns dizem que isso já é programar a mente para o pior, o famoso pessimismo, mas a não ser que um milagre (como ganhar na mega-sena) esteja esperando por mim é assim que me vejo no Brasil: Salário pouco maior que R$1.000,00 por mês trabalhando de seg a sab , dividindo o apartamento com 60 negos, não tendo dinheiro pra pagar uma balada no bar da esquina, sem perspectiva de viagem pra europa nos próximos 3 anos e um tanto quanto alienada socialmente, uma vez que a maioria dos meus amigos estão namorando, casados, ou até com filhos.
E nessa hora, quando é traçado o pior dos cenários, como não se lembrar que aqui é festa sexta e sábado, porque domingo é dia de ressaca, e é viagem a cada 4 meses, e quando vc sente que tá precisando de uma make nova ou de um vestido novo é só passar lá na forever 21. É saber que no dia do seu aniversário vc vai ser levada por um Italiano super gente boa pra um castelo, na moto dele, vendo os lindos campos da Toscana, e que em Praga vc vai degustar 10 tipos de cerveja diferentes por 5 euros, e que em Amsterdam vc vai conhecer um americano que mudou o rumo da sua vida, e que em Dresdren vc encontrou um pub muito locko no qual vc provavelmente era a única brasileira num bando de alemães, e que na festa do ano novo na casa de um estranho na Escócia, tinha um portugues que tocou ''O trem das onze''.
É justo ser egoísta? Devemos mesmo procurar pela nossa felicidade ignorando, como diria pequeno príncipe, todos os que cativamos?
Quão sábio é trocar as pessoas que ainda está por conhecer, os lugares que ainda está por contemplar, as histórias que ainda está por serem vividas por um carro zero? Por uma melhor posição na sua carreira? Sim, não nego, por um melhor salário, mas e esse dinheiro? Impostos que nunca são revertidos pra vc?! Ok, mas então pelo menos viaje!! Sim, quando? Não há tempo pra isso, e mesmo quando há, quem já fez intercâmbio sabe o enorme abismo existente entre ser turista e vivenciar realmente um lugar.
E assim termino, talvez tão angustiada quando comecei, carregando agora apenas a esperança dentro de mim, só peço a Deus coragem e sabedoria pra que a decisão certa seja tomada.
Grande beijo,
ps: Eu sei que não estarão lendo, mas gostaria de dedicar esse post a minha mãe e minha irmã Maria Clara, não há apenas 1 dia em que não pense em vcs e em como gostaria estar aí, as ajudando, compartilhando momentos, sejam felizes ou tristes... penso no tempo em que estivemos juntas, e no tempo em que estaremos juntas, nos abraços apertados... nas risadas... no barulho sem fim do almoço em família.
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engraçado isso...eu tinha seu blog nos meus favoritos da epoca em que eu ainda estava pesquisando sobre intercambio...hoje por acaso eu achei um arquivo com esses favoritos antigos e fui olhando tudo e caí aqui de novo, quase um ano depois...e eu estou sentindo EXATAMENTE a mesma coisa que vc escreveu nesse texto.
ResponderExcluireu estou rumo a primeira renovação cheia de dúvidas e teu texto me mostrou que talvez quanto mais o tempo passa mais dúvidas ainda a gente vai tendo...
anyway, boa sorte com qualquer que seja sua decisão, eu to aqui ainda com o coração na mão tentando decidir a minha hehe